Agora eu tateio na realidade. Era isso o tempo todo, a realidade estava presente, eu a vivenciando rotineiramente. Eu não me conformava com a realidade - essas palavras me vieram como solução para todos os males. O caminho simples e atado às nossas contextualizações familiares e poéticas.
Agora eu a lembro, não mais as suas palavras me vem com a rapidez inquietante de pensamentos chave que se voam iguais a folhas em tetos de ônibus. Elas agora ficam e me olham, convidando-me a mexe-lhes na alma para buscar soluções.
Olho o riacho doce aventureiro, as águas, como falam os poetas, já não são mais as mesmas a segundos atrás: o rio não é mais o mesmo. As sombras que se formam de meu rosto nas elevações da água também já não são mais as mesmas. Os raios da manhã refletem no rio, e o seu reflexo vem em cheio aos meus olhos. Minha primeira reação é de desviar o olhar, mas observo que nos milésimos de segundo passados no intervalo do desvio, vejo que é possível suportar a luz do reflexo. Para viver é preciso ter coragem.
A vida senão é isso. Um barco a navegar nos riachos doces da floresta do ventre da mãe-terra que mais cedo ou tarde encontrará a desembocadura do rio com o mar. É o abraço do rio com o mar.
Genuinamente um abraço.
Os dois, embora se encontrem e sintam a realidade de um do outro não se misturam, mas se acoplam numa harmonia de águas diferentes, mas que mesmo assim ainda são águas e refletem qualquer raio de sol.
É coragem de ser riacho e mar.
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